um vinho seco na taça de champagne roubada na noite passada, como se tocar os lábios no vidro sujo pudesse te trazer de volta.
revejo nossas poucas fotos juntos, a gaita sobre a mesa com a garrafa do sonho belga vazia, todas as esperanças sumindo com os prazos extrapolados dos exames do governo. um boletim de ocorrência, um resumo de imunologia e a lembrança indiscreta da cruzada pra lhe tirar o sangue e testar todos seus anticorpos circulantes.
de repente somos de novo dois ébrios cambaleantes na quadra da são clemente, ouvindo um barulho indistinguível que, aos nossos corpos, funcionou como imã. realidade crua, somos nada, só distância e silêncio do celular no modo avião.
revisito mentalmente o embarque no aeroporto internacional, sua caminhada em direção ao raio-x, sua mochila de concreto se afastando e a -gentil- segurança pedindo licença, me roubando os últimos segundos daquela visão, do desejo inenarrável de largar tudo, bolsa, curso, vida, e correr por aquele corredor atrás de um último beijo, de um abraço que durasse a eternidade. ah, amor, foi tudo tão rápido! e ainda assim não deu pra conter o sal dos olhos, vindo sem freio e sem piedade, esperando que sua hesitação se transformasse em ato físico, que o tremor no seu olhar fosse feito tato, que o sorriso de causa perdida fosse prelúdio de trégua.
mas não.
se foi como veio, súbito, deixando um rastro de saudades líquidas, mais caudalosos que todos os canais do reino laranja e que toda a hidrografia desse verde-amarelo agora vazio de você.
revejo nossas poucas fotos juntos, a gaita sobre a mesa com a garrafa do sonho belga vazia, todas as esperanças sumindo com os prazos extrapolados dos exames do governo. um boletim de ocorrência, um resumo de imunologia e a lembrança indiscreta da cruzada pra lhe tirar o sangue e testar todos seus anticorpos circulantes.
de repente somos de novo dois ébrios cambaleantes na quadra da são clemente, ouvindo um barulho indistinguível que, aos nossos corpos, funcionou como imã. realidade crua, somos nada, só distância e silêncio do celular no modo avião.
revisito mentalmente o embarque no aeroporto internacional, sua caminhada em direção ao raio-x, sua mochila de concreto se afastando e a -gentil- segurança pedindo licença, me roubando os últimos segundos daquela visão, do desejo inenarrável de largar tudo, bolsa, curso, vida, e correr por aquele corredor atrás de um último beijo, de um abraço que durasse a eternidade. ah, amor, foi tudo tão rápido! e ainda assim não deu pra conter o sal dos olhos, vindo sem freio e sem piedade, esperando que sua hesitação se transformasse em ato físico, que o tremor no seu olhar fosse feito tato, que o sorriso de causa perdida fosse prelúdio de trégua.
mas não.
se foi como veio, súbito, deixando um rastro de saudades líquidas, mais caudalosos que todos os canais do reino laranja e que toda a hidrografia desse verde-amarelo agora vazio de você.