
A concentração passa longe das retinas cansadas,
mil calorias ocupam o lugar das páginas de mil palavras indecifráveis.
Então o telefone toca, dando a notícia inesperada e tudo parece vão, frágil, pueril.
Futilidade pensar em gula quando corações param de bater antes dos 20.
Antes da hora, depois da escola, antes da vida.
Aquela risada escandalosa que se calou é imagem que fica.
Tão cedo.
Passos tortuosos guiam até um abraço furtivo no metrô,
e sem se entender, caminham deliberadamente para a banca da esquina.
Num banco de rua, sob o sol de novembro, remói as memórias de uma tragédia que, de tão distante do palpável, quase não é sua.
Observando o papel queimar, negro como as sombras que ofuscam o céu fresco daquela cidade em chamas, a consciência da efemeridade das coisas parece lhe sorrir.
Cedo de mais. Antes da hora.