sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sua anatomia estruturada, envolvendo com seus 1,85m os meus humildes 1,69m. Seus músculos faciais contraindo-se num sorriso: orbicular dos olhos, zigomáticos, sinceridade.
São duas da tarde. Compartilha comigo, impregna minhas terminações olfativas com esse perfume que vai me acompanhar pelo resto do dia. Enquanto espero pelo atendimento, quando o vento sopra no ponto do ônibus da Riachuelo, quando me arrepio de frio na praia de Botafogo, quando entro na mercearia chinesa.
Em frente ao Edifício Argentina alguém imitou seu bom gosto. Um gringo matraqueante, exalando o seu cheiro no meu quintal. Cala-te, não tens o sotaque que quero ouvir! E mais uma vez estou inebriada pela fragrância que me leva a ti, que me faz suspirar por uma camiseta vermelha que passou ao lado indo comprar pipoca com pressa.
Quase sou atropelada, mas já é tarde. Morri há mais de 3 horas, na porta de um anatômico fétido. Fui deixada, você voou como o bando de pássaros da minha janela numa tarde como a de hoje: cinza, fria e sozinha.