segunda-feira, 2 de março de 2009

Náufraga

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
{Cecília Meireles }

O verão ainda não acabou, mas infelizmente não posso dizer o mesmo das minhas férias... Hoje, primeiro dia de "aula" na FMC: trote tranquilo. Quer dizer, tranquilo depois que começou, porque os veteranos puseram o maior terror e eu juro que morri de medo. Foi dia de rever pessoas e de encarar os fatos: estou na faculdade...Quantos não sonham com isso?
Troquei as calmas areias de Chapéu de Sol pelas terras ferventes de Campos. O meu sonho estava num navio que não teve sorte e naufragou... Do imponente casco restaram apenas pedaços inertes de madeira molhada, tão enxarcada que não seria possível reaproveitá-la. Não julgo que foi incapacidade ou falha mecânica. As ondas do mar não balaçam segundo a vontade humana. Nem sempre aquilo que desejamos é aquilo que de fato precisamos e, por mais que isso cause revolta num primeiro momento, é cansativo e inútil remar contra a corrente. As águas nos levam aonde devem levar e somente elas sabem o caminho. Cá estou eu, sentada na praia da vida, olhando o balanço do destino e sentindo a brisa da realidade. O cheiro não é mais de maresia e a espuma não está tão branca assim. Agora, é preciso esperar pela próxima Lua e descobrir se meu novo mar está para peixe. É hora de mergulhar no desconhecido.