esses dias, estava eu chegando da faculdade, pensando em dormir, no auge do meu cansaço, comendo uma pêra. Delícia de pêra. aí comecei a pensar em como eu mudei. mais de uma pessoa já veio me dizer isso este ano: "Marília, como você está diferente". Eu não gostava de pêra com casca, nem de feijão com caroço, nem laranja com bagaço, nem cenoura crua, nem morango puro. Faculdade é paulera. Agora tudo começou com força e eu estou sendo "forçada" a me adaptar. Meu jeito retraido, quieto e tímido (c0m desconhecidos)? Não tem vez! Aquilo é selva e quem não se adapta, se isola. Mas sabe de uma coisa? Eu to amando! Mudar é bom. Olhar pros lados, ver que as pessoas não mordem e nem são tão estranhas quanto você pensa. Ver que a casca é que dá o sabor à pêra e o morango maduro sozinho fica melhor. Olhar novos horizontes, provar novos sabores, testar, conhecer, descobrir. é divertido!
Só que não é tudo. Existem coisas que não podem e não devem mudar. Eu sinto saudade das pessoas que eu entendia só de olhar, olhava pra dizer e não cansava de ouvir. Sinto falta das crises de riso, dos abraços, das tarde de vagabundiação, do carinho recíproco e da compreensão sem limites. Me faz falta a sinceridade, o companheirismo, a acolhida. Parece que é uma coisa inerente, não sai, não me solta, não me deixa. Às vezes eu penso que nunca vou encontrar ninguém como os que eu deixei. Penso que ninguém vai me aceitar da mesma forma e ser capaz de me entender tão perfeitamente. Eu ainda não consigo me "abrir". Diz uma verdade por aí que "melhor que faz novos amigos é conservar os velhos". E sabe de outra coisa? Eu ainda não consigo comer bife de fígado.