Num equívoco sutil -ou nem tanto- considerou-se forte o suficiente para arriscar mergulhos mais profundos, declarar independência. Aventurou-se corpo e alma num oceano frio, sem nem mesmo conferir nos aplicativos recomendados quais seriam os riscos.
Muitos.
Julgou que seria capaz de lidar com qualquer pré-julgamento e acordar na manhã seguinte com o mesmíssimo reflexo no espelho. Íntegro, nenhum pedaço faltando.
Não.
Toda aquela força, coragem, autossuficiência... derreteram na virada dos ventos, como a primeira neve do inverno que liquidifica antes de deixar lembrança nas mãos. Sumiram com o sol austral, como metáforas irônicas da efemeridade da própria existência. Eis que estava novamente ali, ser inerte, nu, sob as garras do infinito medo da solidão humana.
