Fim de ano, sempre o clichê. Uma época de demonstrações de solidariedade, bondade e compaixão latentes durante os 350 dias anteriores... Talvez a expectativa do novo ano no calendário ocidental reserve um efeito semelhante à chegada de um bebê (não apenas o divino do dia 25), mas a encarnação máxima da renovação das esperanças e, de certa forma, uma ansiedade um pouco medrosa, um receio do "que virá". Será que vem? Como vem? O que traz?
Frente à incerteza, talvez o mais prudente seja estar pronto, consciência em paz, esquecendo as mágoas do ano que se despede, coração em dia, agradecendo as experiências vividas. Demonstrar afeto, carinho, gratidão nos dias que restam antes do novo...
Nesses pensamentos que vem e vão, depois de ter vivido um mês sem notícias de Natal num país árabe, perdi um pouco o sentido da comemoração cristã. Mas ainda resta em mim um bocado daquela menina de cachinhos dourados que se encantava com a casa cheia, primos reunidos, verde-dourado-vermelho, aquele barulho de cozinha atarefada e a troca de presentes.
Miúda, me questionava por que raios não podia ser assim todo dia. Queria rir sempre das piadas sem graça, ser derrotada no cara-a-cara aos 20 anos pelos meus primos de 7 e 5, partilhar a mesa com todos os tios. Custei a compreender que tudo aquilo era tão especial justamente por ser único... Hoje, família espalhada, sinto falta daqueles dias.
Mantenho de sempre, de todos os fins de ano (além dos cachos, agora castanhos) o desejo que a aura dessa época se perpetue em todos os dias. Mais partilha, menos partir.
Miúda, me questionava por que raios não podia ser assim todo dia. Queria rir sempre das piadas sem graça, ser derrotada no cara-a-cara aos 20 anos pelos meus primos de 7 e 5, partilhar a mesa com todos os tios. Custei a compreender que tudo aquilo era tão especial justamente por ser único... Hoje, família espalhada, sinto falta daqueles dias.
Mantenho de sempre, de todos os fins de ano (além dos cachos, agora castanhos) o desejo que a aura dessa época se perpetue em todos os dias. Mais partilha, menos partir.
Cumprindo meu papel na "peça", fiquei a refletir sobre esses dias desde a meia-noite de primeiro de Janeiro de 2013. Céus, quanta coisa mudou... Quantas surpresas boas, quantas conquistas, quantas pessoas... Respiro e só consigo pensar um "obrigada"!, num misto de gratidão e alívio (este especificamente acadêmico, por ter concluído 3 semestres em um ano).
Hoje, podendo contar nos dedos os dias pra todas as novidades que estão por vir, oscilo entre agradecimento, alegria e lirismo. Escrevo na rede dos meus sonhos, mon paradis privé, Chapéu de Sol. Natal aqui é tempo de petite-famille, lichia e cereja na mesa do quintal. Felicidade, estou em casa. Sou um sorriso acanhado e olhos cheios de saudade.
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| Chapéu de Sol - 25/12/2013 |
