domingo, 30 de setembro de 2012

os 7000 amores cínicos (2a. Ed.)

Querido, acabou,
disse, Será, me questiono.
nos entrelaçamos demais,
nó daqueles difíceis de desfazer.
somos cicatrizes em processo de cura,
o menor esforço de tração em sentido oposto ao curativo faz sangrar
um jorro quente do epicentro de tremores da alma,
onde nossa velha chama se extingue aos poucos em cinza fria,
faiscando teimosamente, mais inflamável que ponta de cigarro.

(acabou, repito.
lamento resignada e melancólica missing us ao pôr-do-sol
e na estrada congestionada que liga a província à capital,
chorando baixinho com o filme encontrado por acidente na TV por assinatura,
na falta de curvas da planície e nos olhos cheios da lua)

Mas acabou,
me conformo.
agora temos a necessidade de não sermos e talvez, principalmente, não estarmos
para evitar que voem os pratos e dilacere-se a poesia.
afinal, ainda que não estejamos,
estaremos,
quando sentirmos nossas invasões e recuos nessas esquinas
que um dia foram nossas e hoje são apenas espaço público.