sábado, 8 de setembro de 2012

Apelo (Estrelas II)

Por favor, não acenda as luzes
estou bem no escuro.
Tem estrelas aqui...
as estrelas são tímidas,
se escondem da luz fluorescente.
Então não acenda nada.

Fica se quiser, em silêncio.
Sob a cúpula da Terra, sua presença é um cheiro leve e adocicado de mato.
Quase sinto sua mão procurar a minha,
seus olhos sorrirem aos meus...
Mas as luzes clareiam a ausência,
remetem à realidade, solidão
e aos discursos de vozes efêmeras.

Por favor, quero adormecer no colo da noite
com sorte amanheço a tempo da dança no horizonte,
alaranjados e vermelhos,
futuro deste presente negro.
Deixa assim, não acenda as luzes,
estou só no escuro...
As lâmpadas frias são vazias de eternidade.