a pulseira desamarra sozinha no braço
e esse maldito rímel que não sai.
ficou preso, o indigno, nas raízes dos cílios
muito pretos, como os teus,
onde há pouco gotas salgadas se penduravam e balançavam,
pequenos micos de ultrafiltrado de sangue.
reparo em certas elevações da pele,
arrepios microscópicos, ensaios de espinhas
ou conflitos futuros com o analista sobre uma adolescência inconclusa.
há 24 horas que não como chocolate.
por que?
por que, quero saber, vou dormir sozinha esta noite?
esse edredom frio cujas fibras e fios não transportam
a matéria prima das lágrima.
sangue. vida. emoção,
que seja.
não raciocino mais, foi só um brain storm, mas rabisquei páginas inéditas
agora inúteis.
sinto a fumaça do cigarro pesando no rosto
devia ser leve a fumaça, no entanto.
um enorme peso sob os olhos que não sei explicar,
nunca sei,
pode ser sinusite, doutor?
"Sim, se tiver gota pós-nasal. Observar e voltar em três dias.
Deve regredir, é a progressão natural da doença"
discordo do diagnóstico como discordo das pálpebras que insistem em dizer que
ESTOU COM SONO.
esse peso é endógeno,
comprime meu nariz e me toma a respiração.
uma coisa que se amontoa,
ocupando toda a restrita extensão
do lugar que um dia tu ocuparas,
nos seios da minha face.