sábado, 1 de outubro de 2011

I've tried to keep my eyes shut, listening only to the music of the city. I've tried to keep my mind closed and look the sky inside my heart.


Deixei o escuro com os ouvidos fechados às vozes humanas.
Os passos na calçada eram abafados pelos carros sobre o asfalto, o giro da bicicleta, o lufar das tubulações que levanta vestidos incautos.
As luzes recebem os olhos que vem do escuro, ofuscam o som. Dos passos, das vozes.
Perde-se um "não sei" sob o devaneio, e é o único conjunto de palavras que se compreende numa profusão de outras, que não lhe alcançam.
O porteiro do prédio ao lado toca gaita. Não se intimida com o olhar inquisidor. Sopra sua gaita de olhos fechados. Meu porteiro não me sorri nem um boa noite. O meu fica preso nos lábios. Sem som.
Os passos ficam mais altos no pátio, com ecos. Desce o elevador e o único som que agora quero ouvir é o da chave na porta.
Alguém me interrompeu no corredor e todo o esforço foi em vão. De novo ouço vozes humanas.