
Mais um desses encontros por acaso, num pátio, em torno de uma piscina. No auge de sua perfeição, um toque nos ombros, e estava completamente entregue a ele. Irremediavelmente sua. Esqueceu-se do outro que a esperava também à beira da piscina, e saíram os dois, mãos dadas, caminhando para um restaurante. E lá chegando, tomou consciência de sua nudez, tentou vestir-se, mas nada havia que pudesse disfarçar aquele seio aberto, aquela alma limpa.
Eis que surge um conflito: terceiras pessoas não pertencem a um momento a dois. Cenas de ciúme, dúvidas, culpa. E eles voltam pra casa, incapazes de se encarar. Panos quentes, ele é inocente, que cena desnecessária! Algumas feridas não cicatrizam. Ele a deixa, sob uma chuva de lágrimas, em uma moto vermelha, tão distante daquele pequeno veículo preto de verões longínquos. Seguem-se abruptas tragédias, um incêndio. Apenas as fotos permanecem, mas já não importam mais, nunca importaram, nunca existiram.
A grande surpresa da noite foi acordar sozinha e perceber que nem mesmo no inconsciente o seu mundo era possível. Seus sonhos, inclusive de olhos abertos, eram tão inviáveis quanto profundos. Agora chega.
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