Um poema intimista que falasse de mim.
Um poema que falasse de sonhos, desejos e de espectativas.
Um poema que transmitisse, agregasse, revelasse.
Impossível.
Fugi da igreja, fugirei de casa, fujo do medo
Mudei de idéia, de rumo, de peso.
Acabo mesmo de mudar a música.
E o que diabos sobra?
Se estou perdida
encantada
suspensa
revoltada...
Ontem, no colo da mãe, ouvi conselhos.
Calada, apenas ouvi e de fato não sei bem o que escutei.
O som estava distante.
Pare com isso, só quero ficar quietinha no colo!
Quieta no canto,
Quieta no escuro,
quieta com frio, sob um edredom dupla-face.
Dupla-face minha.
Afinal, isso não é um poema.
Isso é reflexo.
Rascunho.
Fragmento
de mim.