e mais uma vez escuto ao longe tua voz rouca dizendo-me "te amo".
mal conjugas, eu também não, os verbos
e ainda queres fazer-me de tonta em tuas declarações.
mal conjugas tuas inteções,
que podes dizer-me sobre minhas próprias?
mas derrete-me, toma-me, embriaga-me.
toma-me por tua fumaça esparsa de cigarro de canela.
crês que sou ainda aquela menina boba de anos atrás.
e sou,
no auge dos meus recém-completos 19.
Para sempre a mesma tola
apaixonada por amores impossíveis,
famílias de sonhos mas palpáveis,
amigos de todas as horas e de anos.
Para sempre a mesmo garotinha de olhar inebriado,
admirando um caminho que se faz ao longe e esconde
em cada curva uma surpresa
que será, por fim, desejo,
mas que ainda permanece sendo só saudade.
Obrigada, Vida, pelo meu respirar. Pelo movimentar sonâmbulo sobre a Terra.
Pela lar, família e amigos que me destes.
Pelo ar que me enche, preenche e permite.
Obrigada por deixar-me viver.