A velha estrada de asfalto gasto ainda leva para o mesmo destino. Há quantos anos não se virava aquela curva ou passava-se por aquela semi-rampa. Como a chamava? Tinha um nome específico na infância, era a estrada da...não vem, o nome sumiu. Naquele lugar de vidas marcadas a sol, as horas não passam, os anos não passam, mas a idade está lá para marcar com sulcos profundos na pele o que a tecnologia esqueceu. Acorda-se às 5h e deita-se às 18h, depois da "Ave-Maria". E ainda estão todos lá, não se sabe por quanto tempo.
Pôr o pé na estrada, atrás do volante e sentir o vento passar a 80km/h, levando por uma trilha de terra antes tão conhecida. Eu não gostava de lá, e o cheiro continua o mesmo. Os animais, nem tanto. Faltam dois cavalos e mudaram as vacas. A minha está lá, dizem, mas é nova, não conhecia.
Talvez, com mais duas ou três visitas, seja possível preencher algumas lacunas, encontrar um novo motivo pra rir, lembrar e me edificar de novo e outra vez.
Não sei se foi mais emocionante guiar por cerca de 30 km ou ser guiada a uma vida de memórias esquecidas...