quarta-feira, 17 de setembro de 2008

aos meus astigmáticos...


_________________I
Minhas memórias estão fora de foco,
Minhas explicações são torpes, são urgentes!
Meus desejos me parecem sempre borrados
Nada me traz aquilo que minha visão roubou.
Meus olhos, meus queridos olhos esquecidos
Olhos que me omitem detalhes,
Me privam de prazeres; criam-me dúvidas.
Isso é trapaça, é absurdo.
E agora busco insensíveis buracos
Burlescos? Inexatos!
Fugidios buracos de uma lembrança apagada
Incompleta
Tremida.
______________________II
Duas lentes estão entre mim e o mundo
Sem elas tudo se confunde.
Um cérebro astigmático incapaz de espaçar.
Num mesmo locus, mil preenchimentos
E todo o conjunto integra um vazio.
De que adianta ver tudo e nada entender?
Nenhuma câmera registrou pra mim
E, como ainda não instalei o novo software de desembaçamento,
não lembro, não lembro, não lembro.

____________________III
Vocês estão no time adversário
Jogam pela memória fácil e momentânea
Memória do descompromisso
Estão jogando contra mim!
Meus olhos estão me roubando; por que ninguém xinga o juiz?!
Eu quero lembrar, preciso rever!
Não me neguem isso, não hoje.
Não finjam que não viram, que estavam à parte.
Hipócritas!
São mesmo olhos brasileiros: corruptos.
Querem toda aquela lembrança só pra vocês.
Egoístas.
Estou perdida ¬¬