Arranhava, não sabia o que era. Olhei no espelho e vi o fragmento. Sangrava. Sangrei por dentro. Mais. “Nada grave, vamos fazer um curativo, tem jeito“. Não havia cola na cidade, parece. Parecia o fim do mundo. “Ora, é tão pequeno, que drama“! Talento para os palcos, ou egoísmo, talvez. Podia viver com aquilo. Tenho vivido, eu sei. Com aquilo aberto mesmo, como a lembrar a cada segundo da falha. As falhas. Perdi o sabor, a prazer do doce, a ânsia de morder a vida com força, arrancando pedaços sedentos. Me contive. Me conteve e cresceu como um buraco negro, amargando até a balinha de alcaçuz, lembrança de casa, fuga estratégica da saudade. Desculpe, é um excesso, vou esquecer. Mas agora é minha tragédia (sem importância universal).Diga o que quiser.
Só o espelho sabe como é difícil viver com o orgulho ferido.