pés descalços.
o palco é
templo
e templo é tudo
onde os pés se
mexem.
carne crua
carne nua
carne nua
na sapatilha de
ponta
estrangulando a
carne
da ponta esticada
dos pés.
poetiza em passos
sintetiza no jogo
do corpo
jogado pra trás
num cambré
o grito da alma
que baila no limbo.
poesia não é
palavra.
é desejo.
a língua do corpo é
o movimento.
e a dança, sua prece.