apaga as luzes se tu não queres que te vejam. esconde tua nudez de excessos, essas maluquices gastronômicas que fazes quando estás só. quando tens medo. as caixas de som não explodem aos teus gritos, tua polaroid rejeita teu apelo de trazer pra ti a última figura do negativo. não está, fim. let it go, kid. there ain't a way. may he rest, may us rest. forgive, forget. let them go. não há ninguém contigo agora, digere tua ânsia, essa droga sutilmente liberada na tua circulação.
envenenaram tua água, criança! tua alma, tua calma, teu coração vazio. toda sorte de sentimentos neurotransmitidos por teus neurônios carcomidos, envelhecidos antes da hora. tua mania que querer cedo, querer rápido, querer tudo. aguenta. deixa essa cachaça te tirar o fôlego, inflar teus pulmões como os sacos de papel daquela tua crise de asma, 1987. os muros ainda de pé e tu, onde estavas? naquele teu útero quente, protegida, alheia. não pediste, bem sabes, mas cá estás e agora? que fazes? entope tuas veias com as porcarias empacotadas de supermercados fétidos, produtos imundos dessa vida capitalista selvagem de merda. por que tu precisas de uma nova camisa?
se queres saber, é puro recalque. por não ter quem tema que tu desapareça. por achar que te matando aos poucos vai fugir do fim dos que tu amas. tu não serás capaz de enterrar teus ossos, de ver queimar tuas cinzas.
respira um pouco mais desse veneno que tu chamas de ar. dilata tuas pupilas pra te acostumar ao escuro. cala-te. tocar tua gaita não vai te esvaziar das inseguranças que ficaram registrados nas esquinas perdidas da tua mente.