Nem parecia que havia meses de seca. A chuva veio depressa como quem corre com ânsia de chegar a um lugar do qual se ausentara por um período demasiadamente longo. De repente, o sol brilhante e quente foi encoberto por pesadas nuvens cinza-chumbo e escureceu em noite às 4 da tarde. A temperatura, elevada por dias a fio, baixou de súbito, e passou um vento capaz de eriçar os pêlos como há muito não se sentia. Podia mesmo sentir frio e pegar um casaco. Acender um LA de menta, tomando um café fumegante.
A casa estava cheia e a solidão pela qual almejava tornara-se impossível diante do medo da tempestade. Medo dos outros, não seu. Ao contrário, a chuva encantava-a como sempre. Os roncos de trovão, os relâmpagos e aquele cheiro lhe eram tão familiares...os pingos eram grosso e caiam pesadamente, como se fossem tiros. Absorta em pensamentos que não poderia descrever, talvez por imaturidade, talvez por covardia, só tinha nitidez o seu desejo de reclusão, a paz do silêncio em meio ao caos.
Então, como o céu tempestuoso lá fora, armou-se de repente, levantou decidida. Em mente o motivo encontrado na torrente de idéias avulsas: era um bom dia para um banho de chuva.
