Conto histórias sobre um "nós" que nunca existiu.
Rio de cenas que nunca vi, de sorrisos que você nunca riu.
Invento os passos de um miraculoso caminho,
delineio abraços e posso mesmo sentir o cheiro doce dos teus cabelos em minhas mãos,
embora não os tenha sentido.
E penso na saudade que me afoga em devaneios,
na distância, nos teus gracejos,
rindo de um carinho tão bem nutrido e guardado
mais forte e seguro que a própria fome a que o inflijo.
Privo-me de você, privo meus olhos da tentação que é teu riso.
Privo meu tato da ternura que é tua pele, privo meu paladar do gosto que tem
gostar de ti.
E, talvez quem sabe, me privando da tua existência real,
te faça existir para o eterno que seria o meu próprio DESjuízo.