domingo, 5 de abril de 2009

o que fica...

O que fica é a saudade. São os pedaços que se espalharam pelos caminhos dos que amaram, dos que presenciaram, dos que fizeram a diferença. Fica a diferença. Fica a imagem, o carinho que não pode mais se perder ou desgastar, o carinho eternamente cativo. Cativo fica o coração da tristeza da perda, da amargura do adeus inesperado, do abraço cortado, do telefonema perdido. Fica a mudança, a rotina incompleta, o lugar vazio na mesa. Ficam as obras, os projetos, os sonhos. Fica a cada segundo a pergunta que paira, a resposta que não vem. Por que? Tão cedo, tão rápido, tão violento e inesperado. Tão certo e sem jeito. Descolore. Fica o desbotado. A foto desbotada, a alma desbotada, a parcela perdida. Fica a revolta, a bronca que foi guardada, a interferência que não foi omitida. Fica ausente e no entanto presente: vai pra onde for, está onde estiver. Nas casas, nos carros, nos olhos do descendente, na nova fotografia da família, na visita que ficou por ser feita ou no telegrama que mandou há 3 anos pelos 15 anos da prima distante. Mas sempre está. Ficam as marcas, os conselhos e os olhos inchados dos que ainda esperam, dos que ainda não aceitam. No fim, como em tudo, o que fica é a lembrança: das histórias, das risadas, da fantasia de Papai Noel no Natal de 2004. Fica a dor dos que ficam. E na memória, na vida, nos traços, na reta que segue pra última porta, fica única e simplesmente a saudade.